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Mostrando postagens de Março, 2015

Democracia em risco? A instabilidade política e o inconformismo dos derrotados

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Em entrevista ao programa MUNDO POLÍTICO, da TV da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, conversei com a jornalista Vivian Menezes sobre a conjuntura política atual. 
O programa da série "Democracia em risco? A instabilidade política e o inconformismo dos derrotados" aborda as manifestações ocorridas nos dias 13 e 15 de março, as dificuldades da presidente na produção de uma agenda política positiva, as iniciativas cambiantes das oposições, o papel desempenhado pela mídia no aprofundamento da crise de governabilidade, o conservadorismo moralizador no discurso anti-corrupção e também os erros cometidos pelo PT e pela presidente que corroboram para o agravamento das disputas no cenário da política institucional, com reflexos na sociedade, colocando em xeque a própria democracia. 

Assista o vídeo, de 25 minutos, abaixo, e deixe seus comentários, críticas e sugestões:



O elo perdido: sobre a falácia da redução da maioridade penal

Volta à tona a discussão sobre a redução da maioridade penal. Todas as vezes que ocorre um crime a provocar grande comoção nacional, parte da sociedade brasileira – capitaneada por um discurso minimalista e conservador, com repercussão imediata na grande mídia –  clama por leis draconianas como lenitivo para diminuir a criminalidade violenta. Foi assim com a "criação" da lei de crimes hediondos, por exemplo. O resultado desse tipo de medida repressiva e pontual –  objetivando o adensamento do estado penal –  não apresenta resultado efetivo em termos de diminuição dos crimes.
De tempos em tempos, alguns temas voltam ao noticiário e às redes sociais. O da redução da maioridade penal é um deles. A dor dos que perderam algum parente vítima de violência praticada por um menor é legítima. Porém, há outros fatores a serem considerados antes de  decidir que jovens de 16 a 18 anos também podem ir para as penitenciárias.
É admissível e compreensível que, diante de um crime bárbaro, os p…

Ditadura: passado e presente

Falar de ditadura parece estar na moda. Mas, ao contrário do que comumente é conhecido, o regime ditatorial foi muito mais amplo do que se pode imaginar. Ou seja, além de militantes de movimentos, partidos e sindicatos, a máquina política da repressão conseguiu atingir um número muito maior de ativistas que ainda continuam anônimos. Pelo Brasil afora, milhares de pessoas foram vítimas de todo o tipo de perseguição e sevícias.

Para além dos conhecidos atores que promoveram a repressão, notadamente as Forças Armadas e as polícias estaduais (militares e civis), pude perceber, quando coordenador da Comissão Estadual de Indenização às Vítimas de Tortura, que há fortes suspeitas da participação de outros personagens na eclosão e manutenção do regime ditatorial. Estou me referindo à conivência, omissão e, inclusive, à colaboração de civis, agentes privados e estatais (de diversas áreas e agências públicas), com o regime ditatorial brasileiro.

Estou me referindo à conivência, omissão e, inclusi…

Duas notas no início de um ano infernal

O ano de 2015 só está começando. E já sabemos que será um ano infernal. Começamos refletindo sobre a crise hídrica. Em São Paulo, o governo tucano continua afirmando que o desabastecimento não existe. Todos sabem que daqui há mais ou menos quatro meses, se continuar como está, o Sistema Cantareira vai secar. 
Em Minas, com medo dos resultados das urnas, os tucanos omitiram a gravidade da situação, principalmente da RMBH. No Rio, o governo peemedebista omite o fato de o rio Paraíba do Sul, que abastece quase todo o estado, estar próximo ao colapso. No cenário nacional, o governo petista, mesmo sabendo do risco de um apagão, continua dizendo que não há problemas. Se tivéssemos governos responsáveis, seria a hora de nossas lideranças fazerem um pronunciamento público à nação. É preciso admitir o quadro periclitante de nossas hidroelétricas e represas e clamar à população para que cumpra o seu dever de economizar. 

O fato é que esse modelo de desenvolvimento que privilegia o bem-estar indi…

Pois eu digo: somos corruptos...

Sejamos honestos: vamos acabar com a corrupção no Brasil? Que tal começarmos agora esta grande empreitada!
Há um clima de revolta pairando no ar. Todos a apontar o dedo: político é tudo igual; político é corrupto.
É verdade: a política institucional, aquela que ocorre nos partidos e nas instituições do Estado, que depende cada vez mais do dinheiro privado para a sua subsistência (e subserviência, diga-se de passagem), parece estar chafurdada na corrupção.
Mas lembremos: onde há corruptos, há corruptores. Por isso, é alvissareiro observar que, pela primeira vez na história deste país, empresários e políticos poderosos têm permanecido por mais de 24 horas na prisão, apesar de um Judiciário tão seletivo, patrimonialista e elitista como o nosso.
Aliás, a melhor pena para um corrupto nem seria a prisão. Para aqueles que roubam, a devolução em dobro daquilo que foi surrupiado seria uma reprimenda que beneficiaria muito mais a sociedade. Isso seria possível, se trocássemos a justiça vingativa…

Álcool: a droga da morte

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Ainda repercute a notícia de um jovem de 23 anos que morreu após ingestão excessiva de álcool em uma festa universitária, em Bauru, no Centro-oeste paulista. Humberto Moura Fonseca participava de uma competição para ver quem conseguia beber mais. Outros três jovens — incluindo duas mulheres — estão em estado grave.
Qual a droga que mais mata no Brasil? O crack, a maconha, a heroína ou o êxtase? Não. O que mais mata no Brasil é o álcool, consumido puro e/ou associado com outras drogas e fatores de risco.
Segundo o Ministério da Saúde, as maiores causas de morte são problemas cardiovasculares e o câncer, duas doenças relacionadas ao álcool. Mas a perda de vidas não está associada somente às doenças relacionadas ao vício do álcool. Metade das mortes no trânsito envolve motoristas embriagados. 
Mesmo em pequenas doses, o álcool prejudica a percepção de velocidade e distância; pode causar dupla visão e incapacidade de coordenação. Resultado: milhares de vidas ceifadas no trânsito.
O consumo d…