quarta-feira, 16 de março de 2016

Lula e a superação do jogo no qual todos perdem


 A entrada de Lula no governo Dilma é motivo de críticas ácidas à direita e à esquerda. Para alguns, trata-se de “tábua de salvação”; para outros, o começo, para valer, de um governo que atende as demandas de setores da esquerda. Uma liderança que colocará em prática o plano de governo apresentado por Dilma aos brasileiros na campanha de 2013.

O fato objetivo é que, até agora, o aprofundamento da Operação Lava-Jato (que começou muito bem, mas depois bandeou para a discricionariedade e arbitrariedade, com ações seletivas do juiz Sérgio Moro, a omissão na correção de rumos pelos tribunais superiores, a cobertura enviesada e criminosa da mídia nativa e a radicalização dos discursos) derivou numa enorme erosão do sistema político. E, na democracia, a anulação das instituições políticas abre caminho para todo o tipo de aventura.

A bem da verdade, todos estão perdendo com a situação atual. Ao contrário da papagaiada midiática, que só atribui perdas para o PT, Lula e Dilma, o fato é que as oposições não têm projeto de país e agenda capaz de suplantar a devastação político-econômico-ética e encontra-se na mesma situação de desespero. Nesse caos, perdem também as empresas, com o aprofundamento da crise econômica; perde a sociedade (e principalmente os mais pobres) com o aumento da inflação, desemprego, etc. Somente um cego político ou um “fiel de partido”, incapaz de enxergar para além do próprio nariz, pode aplaudir esse jogo no qual todos, indistintamente, estão perdendo. Inclusive, o sistema de justiça, cada vez mais questionado e deslegitimado pela ação inconsequente de alguns magistrados e membros do Ministério Público, amparados, como sempre, pelo sistema policial da casa grande.

A delação de Delcídio acabou com as esperanças de alguns próceres da oposição de saírem ilesos dessa guerra de destruição de instituições e de reputações. É hora de negociar uma saída política e ética para o país.

Pois bem: Lula, com seus defeitos e qualidades, tem ainda um grande capital político. Não obstante a desconstrução fascista de sua imagem pela mídia e por setores obtusos da oposição, pesquisas de opinião não deixam dúvida de sua liderança. E uma das virtudes de Lula é, exatamente, sua capacidade de negociação. Até mesmo as oposições reconhecem seu carisma nessa ceara.

Não esperemos por milagres. Nem atribuamos a Lula a missão quixotesca de resolver sozinho o imbróglio atual. Mas, a sua entrada em cena poderá serenar os ânimos. 

E, se os principais atores políticos tiverem um pouco de juízo e pensarem no Brasil, e não nos seus interesses pessoais, corporativos ou imediatos, o ex-presidente poderá se tornar peça fundamental na costura de uma aliança para a superação da crise pela via da política, ao invés da saída judicial ou policial.

Todos poderão ganhar. Inclusive as oposições que terão tempo para saírem do furacão e do discurso vazio, oportunista e virulento e, com responsabilidade, poderão elaborar um projeto para o país. E disputa-lo no tempo certo; ou seja, nas eleições de 2018.

Por fim, não podemos aceitar que um juiz de primeira instância pode tudo, inclusive violar a lei, impunemente. Será que as instâncias superiores do judiciário (que poderiam controlar arroubos autoritários) estão covardemente amedrontadas e imobilizadas pelo tribunal supremo midiático e reféns da opinião publicada? Se isso ocorre, a justiça brasileira está flertando com a ditadura da toga.

Se quisesse agir dentro da legalidade, o Sérgio Moro sequer autorizaria a gravação. E, no limite da irresponsabilidade, enviaria a gravação para o STF analisar e tomar providências. 

Na democracia, a imprensa, notadamente a rede globo, e o judiciário não são partidos políticos.

Sérgio Moro quer fazer justiça com as próprias mãos. Comporta-se como um fora da lei. Isso é inaceitável e repugnante!

Lembrar de Ruy Barbosa é importante: "a pior ditadura é a do judiciário".





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