UMA TRÉGUA NO FINAL DO ANO


A votação sobre o rito do impeachment no Supremo Tribunal Federal e o início das férias parlamentares possibilitarão uma suspensão temporária das hostilidades que, certamente, voltarão à tona no próximo ano com as eleições municipais. A curto prazo sou pessimista; a longo prazo penso que o atual momento propiciará o amadurecimento da democracia. Essa senhora que, francamente, não dá mais conta de resolver os dilemas de uma sociedade ainda desigual, injusta e violenta. Na melhor das hipóteses, nossa democracia tem que ser reinventada se quiser sobreviver... Mas, isso é outra história!


Na sessão do Supremo  ficou claro que os gritos pueris, raivosos e frustrados de Dias Toffoli e Gilmar Mendes não foram suficientes para intimidar a Corte. O ministro Barroso, de forma gentil e firme, proferiu um voto memorável. Mostrou que a Suprema Corte, numa democracia, é guardiã da Constituição e não dos interesses privados, autoritários e casuísmos.

A incoerência explícita de Fachin, antes um defensor do voto aberto, surpreendentemente proferindo o voto mais conservador da Corte, negando em parte seu passado, foi a triste surpresa. O que que Fachin aconselha que seja feito com suas manifestações anteriores favoráveis ao voto aberto?

Ricardo Lewandowski, atacado pelas elites conservadoras desde sua postura isenta na Ação Penal 470, fechou com chave de ouro a votação: os representantes (eleitos) têm que dar satisfação do mandato aos representados que os elegeram. Voto aberto e transparência é o mínimo que se espera de políticos honestos. Vitória da democracia!



Há que se registrar, ainda, a coragem do PCdoB ao propor a ação que questionou o rito do impeachment. Ousadia cívica em defesa da democracia a mostrar que partidos coerentes com seus programas ainda têm espaço e valor... 

Por outro lado, o ano termina com a "caixa de pandora" (que ocultava os saudosos do país da casa grande e da senzala) aberta. E isso é muito bom. Numa sociedade marcada pela hipocrisia e desfaçatez, pelo menos é possível, agora, identificar quem são aqueles(as) que se aliam ao gangsterismo político, ao oportunismo, ao desprezo à democracia e suas regras mais basilares, ao jogo sujo e desleal do vale-tudo. Golpistas não passarão!

Porém, não sou ingênuo: o mundo, a América Latina e, em breve, o Brasil já começam a viver tempos de direitização. Mas, resistir é preciso... 
As manifestações organizadas pela Frente Brasil Popular na última quarta-feira, país afora, mostram que dezenas de movimentos sociais, sindicados, movimentos estudantis e eclesiais e seus militantes estão cheios de disposição para a disputa política.



Os anais da história do Brasil encontram-se escancarados para registrarem à posteridade esses tempos, seus atores e as ideias que marcarão a história da atual e das futuras gerações.

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